PASSAGEM DAS HORAS
> Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
> Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
> Vivi todas as emoçoes, todos os pensamentos, todos os gestos,
> E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse
> Amei e odiei como toda a gente,
> Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
> E para mim foi sempre a excepção, o choque, a válvula, o espasmo.
> Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.
> Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
> Mágoa externa da Terra, choro silencioso do Mundo.
> Fernando Pessoa
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