
151- Douceur de Roses
90x60 - oleo sobre tela - 2008
As rosas
Rosas que desabrochais,
como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;
Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; e a diadema
Da ilusão.
Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio humido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
em vão ornais a fronte a meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
La bate a hora infausta
Em que é força morrer, as folhas lindas
Perdem o vicio da manha primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? restos perdidos.
Folhas mortas que o tempo esquece e espalha
brisa do inverno ou mão indiferente.
tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese a beleza,
Pereceis;
Mas, não... se a mão de um poeta
vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas
Florescereis.
Machado de Assis (1839 - 1908)
in "Crisalidas"