...

Gota de luz dourada, ponto ínfimo, esvoaçando junto ás estrelas na imensidão do Universo, de constelações em galaxias, de sonhos em emoções, de fantasias em imaginação ...


Goutte de lumière dorée, point infime, virevoltant avec les étoiles dans l'immensité de l'Univers,de contellations en galaxies, de rêves en émotions, de fantaisies vers l'imagination ...






quarta-feira, 4 de maio de 2011

As rosas

151- Douceur de Roses

90x60 - oleo sobre tela - 2008



As rosas



Rosas que desabrochais,

como os primeiros amores,

Aos suaves resplendores

Matinais;



Em vão ostentais, em vão,

A vossa graça suprema;

De pouco vale; e a diadema

Da ilusão.



Em vão encheis de aroma o ar da tarde;

Em vão abris o seio humido e fresco

Do sol nascente aos beijos amorosos;

em vão ornais a fronte a meiga virgem;

Em vão, como penhor de puro afeto,

como um elo das almas,

Passais do seio amante ao seio amante;

La bate a hora infausta

Em que é força morrer, as folhas lindas

Perdem o vicio da manha primeira,

As graças e o perfume.

Rosas que sois então? restos perdidos.

Folhas mortas que o tempo esquece e espalha

brisa do inverno ou mão indiferente.



tal é o vosso destino,

Ó filhas da natureza;

Em que vos pese a beleza,

Pereceis;



Mas, não... se a mão de um poeta

vos cultiva agora, ó rosas,

Mais vivas, mais jubilosas

Florescereis.



Machado de Assis (1839 - 1908)

in "Crisalidas"

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