...

Gota de luz dourada, ponto ínfimo, esvoaçando junto ás estrelas na imensidão do Universo, de constelações em galaxias, de sonhos em emoções, de fantasias em imaginação ...


Goutte de lumière dorée, point infime, virevoltant avec les étoiles dans l'immensité de l'Univers,de contellations en galaxies, de rêves en émotions, de fantaisies vers l'imagination ...






domingo, 30 de janeiro de 2011

As rosas

Coração de rosa - 50x60 - óleo sobre tela - 2008
As rosas
Quando á noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Sofia de Melo Breyner Andresen

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Lenda das Amendoeiras

Flor de amendoeira - 50x70 - oleo sobre tela - 2007



Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos árabes, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.


Era encantadora essa criatura, a quem todos chamavam a Bela do Norte, e por isso não admira que o rei, de tez cobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.

Apesar das festas que houve nessa ocasião, uma enorme tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do esposo faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a "Bela do Norte" tinha saudades da sua terra.

O rei conseguiu, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.

O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:

- Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!

Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

- Vede - disse-lhe o rei sorrindo - como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!

A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Amendoeiras - Amandier

Amendoeira em Flor - 65x80 - Óleo sobre tela - 2007
La branche d'amandier
De l'amandier tige fleurie,
Symbole, hélas! de la bauté,
Comme toi, la fleur de la vie
Fleurit et tombe avant l'été.
Qu'on la néglige ou qu'on la cueille,
de nos fronts, des mains de l'Amour,
Elle s'échappe feuille à feuille,
Comme nos plaisirs jour à jour!
Savourons ces courtes délices;
Disputons-les même au zêphyr,
Épuisons les riants calices
De ces parfums qui vont mourir.
Souvent la beauté fugitive
Ressemble à la fleur du matin,
Qui, du front glacé du convive,
Tombe avant l'heure du festin.
Un jour tombe, un autre se lève;
Le printemps va s'évanouir;
Chaque fleur que le vent enlève
nous dit: Hâtez-vous de jouir.
Et puisqu'il faut qu'elles périssent,
qu'elles périssent sans retour!
que ces roses ne se flétrissent
Que sous les lèvres de l'amour!
Alfonse de Lamartine (1790-1869)

sábado, 8 de janeiro de 2011

A lenda da Rosa Azul

Rosas azuis - 95x75 - Óleo sobre tela - 2010


No Mosteiro da Cartuxa, no Buçaco, em Portugal, vivia,
em séculos que já se foram,
um piedoso e santo monge, cuja vida se consumia, inteira,
entre a oração e as rosas.
Jardineiro da alma e das flores, passava ele as manhãs de joelho,
no silencio da nave, aos pés de um Cristo crucificado, e as tardes, no pequeno jardim da ordem,
curvado diante das roseiras, que ele proprio plantava e regava.
A sua paciência de jardineiro era absorvida, entretanto,
por uma ideia, que era um sonho:
encontrar a Rosa Azul das lendas do Oriente, de que tivera noticia, uma noite,
ao ler os poemas latinos dos velhos monges medievais.
Para isso, casava ele as sementes, os brotes, fundia os enxertos,
combinando as terras, com que as cobria, e as águas com que regava,
esperando, ansioso, e aparecimento, no topo da haste,
do sonhado botão azul!


Ao fim de setenta anos de experiência e sonhos, em que se lhe misturavam na imaginação as chagas vermelhas de Cristo e as manchas celestes da sua rosa encantada, surgiu , afinal, no coroamento de um galho de roseira,
um botão azul como o céu.
Centenário e curvado, o velhinho não resistiu à emoção, e, conduzido à cela,
ajoelhou-se diante do crucificado, pedindo-lhe, entre soluços pungentes,
que como prémio à santidade da sua vida,
não lhe cerrasse os olhos sem que eles vissem,contentes,
o desabrochar da sua Rosa Azul.

Em volta do santo velhinho, no catre do mosteiro, todos choravam compungidos. E foi então, que, divulgada de boca em boca, foi a noticia ter a um convento das proximidades, onde jazia, orando e sonhando, uma linda infanta de Portugal.
Moça e formosa, e, além de formosa e moça, fidalga e portuguesa,
compreendeu a pequenina freira, no jardim do seu sonho, o valor daquela ilusão, e correu à sua cela, consumindo toda uma noite a fazer,
com os seus dedos de neve,
uma viçosa flor de seda azul que perfumou,ela própria com essência de gerânio.
E no dia seguinte, pela manhã, morria no seu catre,
sorrindo entre as lágrimas de alegria,
por ter nas mãos tremulas, por um milagre do céu,
a sua Rosa Azul!


Humberto de Campos

in "A Serpentr de Bronze"